O termo ESG foi criado em 2004 em uma publicação do Pacto Global em parceria com o Banco Mundial, chamada Who Cares Wins (Quem se Importa Vence).
As práticas ESG, em português Ambiental, Social e Governança, são importantes para as empresas contribuirem com a sociedade para enfrentarem as mudanças climáticas. Elas podem reduzir o impacto ambiental e construir um mundo mais sustentável.
As praticas ESG possuem como objetivos: Minimizar os impactos no meio ambiente; Construir um mundo mais justo e responsável e; Gerir os recursos naturais de forma sustentável.
Se focarmos as ações nas Mudanças Climáticas, as ações ESG nas empresas e investimentos devem ser:
- Reduzir as emissões de carbono;
- Investir em energia renovável;
- Gerir resíduos de forma mais eficaz;
- Integrar considerações ambientais na cadeia de abastecimento;
- Garantir condições de trabalho seguras e justas;
- Apoiar as comunidades locais afetadas pelas alterações climáticas.
Desta forma, ESG é essencial para orientar práticas sustentáveis, promovendo cooperação global contra as mudanças climáticas, integrando considerações ambientais, sociais e de governança em empresas e investimentos.
A Mudança Climática é uma das maiores ameaças que a humanidade enfrenta atualmente, como publicado por mim no artigo: Consequências do Aquecimento Global: Mudanças Climáticas. Ao adotar uma abordagem centrada em ESG, as empresas podem desempenhar um papel importante na promoção da sustentabilidade. Desta forma, os governos podem e devem investir em políticas públicas para que as empresas desenvolvam tecnologias limpas e soluções inovadoras para enfrentar os desafios das alterações climáticas.
Vale aqui ressaltar que os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 6, 8 e 13 estão relacionados com os critérios ambientais, sociais e de governança do ESG. e as empresas que adotam práticas ESG têm maior probabilidade de contribuir para o alcance dos ODS.
O ODS 6 está relacionado com a água e saneamento e visa assegurar a disponibilidade e gestão sustentável desse recurso vital para todos. O ODS 8 está relacionado com os critérios sociais e de governança do ESG, e visa promover o crescimento econômico sustentável e o acesso ao emprego digno para todos. E o ODS 13 está relacionado com os critérios ambientais do ESG, e visa combater as alterações climáticas.
Desta forma, visto os ODS e ESG possuirem importantes conexões, o ESG não é apenas uma estratégia empresarial inteligente, mas principalmente uma responsabilidade moral e ética e que desta forma, todos possam enfrentar os desafios das Mudanças Climáticas e criar um mundo melhor para as gerações futuras.

O conceito de ambiental que aparece na sigla do ESG está voltado ao quanto a empresa está focada em reduzir sua pegada ambiental. Essa frente de trabalho pode abrir diversas atividades, como a importantíssima disseminação da educação ambiental nos funcionários da empresa, a atuação na gestão de resíduos, a redução das emissões de CO2 e a redução do consumo de recursos naturais.
O conceito social que aparece na sigla ESG está voltado a promover a igualdade social, proteger os direitos humanos e garantir condições de trabalho seguras e justas para todos os funcionários. Além disso, podem colaborar com as comunidades locais afetadas pelas alterações climáticas, apoiar os esforços de adaptação e recuperação e contribuir para o desenvolvimento inclusivo e sustentável.
O conceito governança que aparece na sigla ESG está voltado a garantir que as empresas possam aderir aos princípios da sustentabilidade e da responsabilidade corporativa com elevados padrões éticos e de integridade em todas as operações.
Desta forma, a relação entre os ESG e os ODS é uma via de mão dupla. Os critérios ESG podem ajudar as empresas a alinhar as suas práticas com os ODS, enquanto os ODS fornecem um caminho claro e ambicioso para ações em direção a um mundo mais sustentável.
Segundo a Noctula – Consultores em Ambiente: No contexto empresarial, a adoção de critérios ESG e a integração dos ODS nas suas estratégias de negócios podem resultar em diversos benefícios como:
- Melhoria na reputação;
- Atração de investidores responsáveis;
- Redução de riscos operacionais;
- Fortalecer o envolvimento dos colaboradores, promovendo a inovação e a retenção de talento.
Ao adotar uma abordagem orientada pelos ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, as empresas podem alinhar as suas práticas de negócios com metas mais amplas de desenvolvimento sustentável e contribuir para um impacto positivo na sociedade, no meio ambiente e na economia como preconiza a PAGE – Partnership for Action on Green Economy (em português: Parceria para Ação na Economia Verde). A Economia Verde é aquela que resulta em melhoria do bem-estar humano e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e os desequilíbrios ecológicos.
Desta forma, os ODS e os princípios ESG estão convergindo. Enquanto os ODS estabelecem uma visão clara para um mundo mais justo, igualitário e ambientalmente responsável, os princípios ESG oferecem diretrizes para que empresas e organizações alcancem esses objetivos.
Conforme publicou no Linkedin – ESG Impacto Social em Foco: Quando as práticas de ESG se alinham com os ODS, as empresas não apenas operam de maneira responsável, mas também contribuem para um impacto global positivo.
Segundo o SEBRAE: mais do que uma tendência, as práticas de ESG são fatores de competitividade no ambiente de negócios em geral. A sociedade e o mercado veem com bons olhos empresas que praticam ações de ESG e se preocupam com as questões ambientais, sociais e de governança. Um conceito que vem transformando práticas socioambientais em valores essenciais para as empresas.
Ainda segundo o SEBRAE, além de ser um diferencial competitivo e de atrair investidores para o seu negócio, as boas práticas ESG trazem as seguintes vantagens para o futuro do nosso planeta:
- Empresas com ações de ESG correm menos riscos de enfrentarem problemas jurídicos, trabalhistas e fraudes;
- Redução dos custos operacionais e ganhos de produtividade;
- Fidelização de clientes que valorizam o consumo de produtos e serviços sustentáveis;
- Melhoria na imagem e reputação da marca;
- Emissão de greenbonds, que são títulos de dívida para projetos que promovem impactos positivos no meio ambiente;
- Acesso às linhas de crédito verde;
- Melhores índices de satisfação, atração e retenção de talentos.
E quando falamos sobre o futuro do nosso planeta, a ONUBrasil publicou que: o mundo se prepara para decisões que podem definir o futuro do planeta Terra, nosso lar compartilhado. Neste ano, cinco temas cruciais estarão no centro das discussões globais:
- Manter viva a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5º: A #COP30, em Belém do Pará, deverá exigir compromissos mais ambiciosos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e evitar impactos catastróficos;
- Proteção da natureza: A Amazônia será destaque na COP30, reforçando o papel das florestas no combate ao aquecimento global;
- Financiamento climático: A Conferência de Sevilha, em junho, debaterá investimentos para adaptação e transição energética;
- Justiça climática: A Corte Internacional de Justiça analisará a responsabilidade legal dos países na crise ambiental;
- Fim da poluição plástica: Negociações avançam para um tratado global que regule a produção e o consumo de plásticos.
Vale ressaltar que a mudança do clima já impacta a saúde pública, a segurança alimentar e hídrica, a migração, a paz e a segurança. A mudança do clima, se não for controlada, reduzirá os ganhos de desenvolvimento alcançados nas últimas décadas e impedirá possíveis ganhos futuros.
Quanto mais informações sobre os riscos decorrentes da mudança do clima, mais a consciência sobre a gravidade da crise se propaga. Uma pesquisa da S&P Global Market Intelligence aponta que 80% das maiores empresas do mundo relataram estarem preocupadas com os riscos que a crise climática pode trazer para seus negócios.
Segundo reportagem do RESET: Obrigações de sustentabilidade são complexas demais e tornam empresas da UE menos competitivas, diz Comissão Europeia. Desta forma a Europa propõe afrouxar regras ESG. A Comissão Europeia apresentou um pacote de medidas para simplificar suas regulações de sustentabilidade. A justificativa é reduzir os custos de adequação às regras e proteger a competitividade das empresas do bloco.
Desta forma, o objetivo é “reduzir a complexidade das exigências da UE para todas as empresas, notadamente pequenas e médias”. O foco dos reguladores daqui em diante será nas companhias de grande porte, que têm “maior impacto no clima e no meio ambiente”.
De acordo com a NASA, importante órgão de dados da ciência climática, o clima da Terra se manteve estável nos últimos 10 mil anos e isso permitiu o nosso desenvolvimento. Mas agora, com as mudanças em curso, precisamos nos adaptar. Quanto mais radical for a alteração climática, mais irá exigir de gestores públicos, dos empresários e corporações e das pessoas individualmente.
Acredito ser um equivoco da UE afrouxar as regras ESG, que assim como os países, estados e municípios, as organizações também precisam adotar estratégias de adaptação e mitigação às mudanças climáticas. Além disso enfatizo que empresas que investem em boas práticas ESG facilitam o caminho para atrair investimentos, fidelizar clientes e reduzir custos de operação.
As empresas, pequenas, médias e grandes, precisam ter um plano estratégico de soluções sustentáveis para lidar com eventos extremos de forma a manter sua equipe, estrutura e identidade intactos. Nesse quesito, as práticas ESG podem ajudar porque avaliam desempenho, riscos e oportunidades, além de possibilitar a atuação multilateral das partes interessadas, visando a alcançar um impacto positivo.
Além disso, como já descrevi mas é bom repetir, as empresas que focam em ESG têm vantagens no mercado, com a possibilidade de reduções nos custos e aumento da rentabilidade a médio e longo prazo. Isso por conta da atração e fidelização de clientes, com produtos mais sustentáveis.
No Dia Mundial da Vida Selvagem (dia 03 de março) o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que a proteção da vida selvagem garante sobrevivência humana. Ressaltou ainda que o “vício da humanidade em combustíveis fósseis” e o uso insustentável de recursos está levando ecossistemas ao colapso e espécies à extinção. Afirmou que a relação dos seres humanos com a natureza está em um “ponto crítico”. O líder da ONU pediu que o mundo escolha um caminho “mais inteligente”, com aumento de investimentos em conservação da vida selvagem.
Como integrar a crise climática ao ESG? Afirmou Shakespeare, em Hamlet, “estar pronto é tudo”. Isso foi demonstrado na ilha de Java, na Indonésia, a partir de um mutirão comunitário no distrito de Demark, onde foram restaurados 20 quilômetros de mangues costeiros e foi introduzida a agricultura sustentável. A proteção evitou inundações e destruição, garantiu a produtividade e trouxe benefícios da biodiversidade a 70 mil pessoas.
Vale ressaltar que um período prolongado de temperaturas globais mais altas terá impactos devastadores e irreversíveis nos ecossistemas naturais, na biodiversidade e nas comunidades humanas. A mitigação das mudanças climáticas se refere a qualquer ação tomada por governos, empresas ou pessoas para reduzir ou prevenir emissões de gases de efeito estufa, ou para aumentar os sumidouros de carbono que removem esses gases da atmosfera.
Como está na publicacão do Pacto Global da ONU: “Nos últimos meses, os reveses globais no campo dos Direitos Humanos têm tentado enfraquecer a construção de um setor empresarial mais diverso, justo e equânime… O Pacto Global – Rede Brasil – reitera seu compromisso em alavancar o potencial da comunidade empresarial como agente de transformação na agenda de Diversidade, Equidade e Inclusão“.
Como escreveu Edmund Burke: “Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados”.
Desta forma, a comunidade empresarial tem um papel fundamental no engajamento de ações que promovam o Desenvolvimento Sustentabilidade, adotando medidas urgentes para combater as alterações climáticas e os seus impactos, conforme o ODS 13.
EMPRESÁRIOS: O mundo mais sustentável pode começar pela sua empresa!!! “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” (Geraldo Vandré: Para não dizer que não falei das flores).
Eduardo Cairo Chiletto