Imóvel que abrigou a creche municipal São José Operário, em Cuiabá, está abandonado há quase 10 anos e é motivo de preocupação dos moradores do bairro Dom Aquino, onde está localizado. Tomada pelo matagal e lixo, a estrutura, que é propriedade do governo do Estado, transformou-se em um problema de segurança na região, servindo, inclusive, como local para punições do tribunal do crime.
Em agosto de 2023, dentro da antiga creche, que também já foi sede da Escola Estadual Maria Bocaiúva, inaugurada em 1963 e reformada em 2008, além de ter abrigado a Universidade Popular e a Biblioteca Comunitária Saber com Sabor, a polícia encontrou uma camiseta suja de sangue e um boné pertencente a Adriano José da Silva Neto, de 30 anos. O imóvel fica a poucos metros da casa da vítima e a polícia concluiu que José foi torturado no local antes de ser morto e ter o corpo jogado no rio Coxipó. Na ocasião, o local foi isolado para os trabalhos da Perícia Oficial (Politec), e a família reconheceu a camiseta e o boné que estavam com Adriano no momento de seu desaparecimento.
Um morador do bairro, que vive na área há mais de 20 anos e preferiu não se identificar, por medo de represálias, conta que, no dia do crime, pedestres chegaram a notar movimentações suspeitas no terreno da antiga creche, mas como o local é frequentemente usado por usuários de drogas, ninguém levantou suspeitas. Na verdade, eles ainda usam o lugar para tudo, desde fazer salves, vender drogas e até consumir. E esse foi um dos casos que acabou sendo descoberto, afirma.
A insegurança gerada pelo abandono do local é imensa e muitos moradores evitam passar por perto, especialmente durante a noite. Não basta estar abandonado, ainda está tomado pelo mato e sem iluminação, o que torna o ambiente perfeito para a criminalidade, alerta o morador.
Ele também lembra que, em alguns momentos, houve promessas de que as instalações seriam demolidas e, pelo menos, o terreno limpo. No entanto, a situação continua a mesma e o local, que poderia ser transformado em uma praça ou área de lazer, permanece em completo estado de deterioração.
Sem auxílio do poder público, ele conta que os moradores chegaram a derrubar parte dos muros há alguns anos para facilitar a visão do que acontece por lá. O muro tirava a visão da gente, nos deixava ainda mais vulneráveis.