A bioeconomia se relaciona à utilização renovável de produtos, possibilitando a preservação dos recursos naturais, que são finitos.
Concepção de extrema importância considerando que a nossa população continua crescendo e, consequentemente, consumindo cada vez mais recursos.
Tipos de bioeconomia:
- Bioeconomia biotecnológica: Utiliza recursos biológicos de forma eficiente, Incorpora tecnologias intensivas em ciência, Prioriza o crescimento econômico e a geração de empregos.
- Bioeconomia de biorrecursos: busca maior equilíbrio entre crescimento e sustentabilidade dos produtos e processos.
- Bioeconomia bioecológica: o critério de sustentabilidade está acima do crescimento econômico, privilegiando a “biodiversidade, conservação dos ecossistemas, habilidade de prover serviços ecossistêmicos e a prevenção da degradação do solo”.
Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que a bioeconomia movimenta, mundialmente, algo em torno de 2 trilhões de euros, além de gerar aproximadamente 22 milhões de postos de trabalho.
Projeções do relatório The Bioeconomy to 2030: Designing a Policy Agenda, da própria OCDE, sugerem que, até 2030, a bioeconomia será responsável por 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países que fazem parte da entidade. Quanto maior for a biodiversidade e os incentivos de um país para a promoção de uma economia sustentável, maior tende a ser a fatia do PIB relativa à bioeconomia.
A relevância da bioeconomia também é demonstrada por meio de metas e políticas globais como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Considerando temas como segurança alimentar e garantia de acesso à energia e saúde, pelo menos metade dos ODS envolvem atividades relacionadas à bioeconomia.
Os 7 maiores benefícios da bioeconomia:
1. Combate ao Aquecimento Global: Priorizando as fontes limpas de energia e desta forma, quebrando os pilares do aquecimento global, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Dessa forma, a humanidade poderá desfrutar de um menor impacto da produção e consumo sobre as condições climáticas no mundo.
2. Agrega Valor Para a Agricultura: Embora seja essencial para a subsistência, a agricultura nem sempre é valorizada nos territórios, principalmente quando praticada por pequenos produtores. Com a adesão à bioeconomia, essa prática ganha uma nova função, fornecendo a base para as soluções dos principais problemas do planeta.
3. Preserva a Flora e a Fauna: Espécies de plantas e animais já deveriam ser prioridade na hora de pensar o desenvolvimento econômico, entretanto, continuam sendo deixadas em segundo plano. O resultado disso são as extinções e destruição do habitat natural de uma série de espécies, prejudicando a biodiversidade e o equilíbrio ambiental. A bioeconomia pode contribuir para a preservação da flora e fauna ao valorizar a biodiversidade e promover práticas sustentáveis.
4. Propicia o Aproveitamento de Resíduos: O modelo da bioeconomia propõe que os resíduos sejam vistos sob um novo prisma, pois muitos deles servem como material para gerar novos insumos ou energia. Assim, é possível diminuir a quantidade de lixo despejada em aterros e na natureza, ao mesmo tempo em que se cria uma fonte rica de matéria-prima.
5. Contribui para a Segurança Alimentar: A fome ainda faz parte da realidade de milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a última edição do relatório “O Estado da Insegurança Alimentar e Nutricional no Mundo”, publicado pela ONU em julho de 2020, esse mal atingiu quase 690 milhões de indivíduos em 2019. A bioeconomia pode contribui para a segurança alimentar ao promover a produção sustentável de alimentos, reduzindo o desperdício e desenvolver novos alimentos, melhorando a nutrição dos habitantes através da cultura de plantas transgênicas e técnicas de micropropagação in vitro.
6. Democratiza o Acesso à Energia: Em 2019, o Banco Mundial alertou que mais de 10% da população mundial (cerca de 800 milhões de pessoas) não contavam com acesso à eletricidade. Esse fator exclui as pessoas de viver com o mínimo conforto, desfrutando de iluminação noturna, de um banho quente ou do auxílio de aparelhos eletrodomésticos.
7. Concilia Progresso e Desenvolvimento Social: As alternativas formuladas pela bioeconomia incentivam o desenvolvimento das comunidades, sem provocar efeitos negativos sobre o meio ambiente. Desse modo, elas ressaltam que é possível avançar, aumentar a produção e crescer, mas não prejudicando os ecossistemas e sem esgotar solos e outros recursos naturais.
AMAZÔNIA: O MAIOR POTENCIAL BIOECONÔMICO DO MUNDO.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, 20% da quantidade total de espécies existentes no mundo está no Brasil, grande parte delas na Amazônia. Essa é uma das razões para entidades nacionais e internacionais lutarem pela proteção da floresta, a fim de limitar queimadas e outras modalidades de desmatamento.
O que muita gente não sabe é que, junto à biotecnologia, as espécies da Amazônia são capazes de gerar riquezas em diversos formatos, inclusive para empresas que decidam explorar sua biodiversidade para descobrir novas funções para elas.
Atualmente, já há mais de 245 espécies da flora nacional utilizadas como base para cosméticos e biofármacos, acompanhadas por 36 espécies de plantas que servem de base para fitoterápicos.
Vale ressaltar que a Amazônia, com sua biodiversidade única, oferece uma ampla gama de produtos que vão além dos setores de medicamentos e cosméticos, contribuindo significativamente para a bioeconomia. Esses produtos incluem alimentos, fibras, bioenergia e insumos industriais, todos derivados de recursos naturais manejados de forma sustentável. Exemplos:
- Alimentos e Bebidas: Frutas nativas como açaí, cupuaçu e castanha-do-pará são amplamente consumidas e exportadas, gerando renda para as comunidades locais;
- Fibras Naturais: Fibras extraídas de plantas amazônicas, como o jute e o malva, são utilizadas na produção de tecidos, cordas e outros materiais;
- Bioenergia: A biomassa proveniente de resíduos florestais e agrícolas pode ser convertida em bioenergia, oferecendo uma fonte renovável de energia e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
- Insumos Industriais: Óleos essenciais, resinas e corantes naturais extraídos de plantas amazônicas são utilizados em diversos setores industriais, incluindo alimentos, bebidas e produtos de limpeza.
Desta forma, a promoção de uma bioeconomia baseada nesses produtos requer investimentos em pesquisa, inovação e capacitação das comunidades locais, garantindo que o uso dos recursos naturais seja sustentável e beneficie as populações tradicionais. Ao diversificar o uso dos recursos da Amazônia, é possível fomentar um desenvolvimento econômico que respeite e preserve a floresta, promovendo a inclusão social e a sustentabilidade ambiental.
Importante destacar que o FIINSA (Festival de Investimentos e Negócios Sustentáveis na Amazônia), se consolidou como um evento-chave para debater e impulsionar soluções sustentáveis na região amazônica, promovendo a troca entre diversos atores do ecossistema de impacto, destacando a crescente importância da bioeconomia e da conservação ambiental. O FIINSA 2024 reforçou a necessidade de construir uma nova economia para a Amazônia, baseada na sustentabilidade, inovação e inclusão social.
Agora que você já tem uma ideia sobre o potencial da economia sustentável, conheça 3 pilares que deverão continuar impulsionando essa área nos próximos anos:
1. Economia Circular: A economia circular inverte a lógica linear de produção e consumo, estendendo a vida útil dos materiais. Em vez de descartá-los após o primeiro uso, essa nova lógica propõe que sejam reutilizados, consertados, transformados e reciclados, diminuindo o lixo lançado no meio ambiente e a energia necessária para produzir novos itens.
2. Transformação de Resíduos: Além da reciclagem e reuso propostos pela economia circular, resíduos orgânicos também podem servir como matéria-prima para gerar bioprodutos e energia. Óleo vegetal e restos de madeira são alguns dos resíduos que atendem a essa demanda, podendo ser usados como biomassa para viabilizar uma série de processos.
3. Biotech: A biotecnologia está na raiz das técnicas preconizadas pela economia sustentável para aproveitar o potencial da biodiversidade. Ela engloba desde métodos simples, como a fermentação, até dinâmicas complexas como o melhoramento genético, usado para aumentar a eficiência na agricultura. A biotech viabiliza a produção de matérias-primas biodegradáveis, servindo para fabricar produtos diversificados, como tecidos.
Segundo o PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: É hora de trabalharmos lado a lado com a natureza, e não contra ela. Investir em soluções baseadas na natureza é o caminho para um futuro próspero e sustentável,
Como já publicado por mim em artigo anterior (Soluções Baseadas na Natureza: Mudanças Climáticas)… Soluções Baseadas na Natureza são ações estratégicas que aproveitam os processos da natureza para enfrentar desafios como as mudanças climáticas, escassez de alimentos e água e riscos de desastres. Pense nelas como inovações da própria terra para manter as pessoas e o planeta saudáveis e equilibrados.
Unindo caminhos sustentáveis e crescimento descentralizado, esse modelo fomenta a construção de uma sociedade mais consciente, que alinhe seu progresso à preservação dos ecossistemas.
Como escreveu o poeta Espanhol Antônio Machado: “…Caminhante não há caminho, se faz caminho ao andar...”. Que possamos juntos unir forças e caminhar em prol da Bioeconomia e do Desenvolvimento Sustentável. A frase significa que o caminho é feito com os próprios passos, e que ao olhar para trás, é possível ver as marcas dos passos dados. A filosofia também discute a ideia de que o caminhante deve perceber o caminho e se mover de forma a desvendá-lo.
E acredito que o principal caminho a ser percorrido pela humanidade é um caminho tendo por base os 17 ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e neste caso vou elencar o ODS 13: Ação Contra a Mudança Globa do Clima, cujo objetivo é: Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactoss. Integrando medidas da mudança do clima nas políticas, estratégias e planejamentos nacionais. E acrescento: Estaduais e Municipal (territorialização dos ODS).
Vale ressaltar que a bioeconomia pode contribuir para a mitigação das mudanças climáticas por meio da substituição de produtos e processos baseados em combustíveis fósseis por alternativas renováveis.
- Reduz a dependência de combustíveis fósseis;
- Promove energias renováveis;
- Desenvolve biocombustíveis, biomateriais e bioenergia;
- Contribui para a redução dos efeitos do aquecimento global;
- Gera tecnologias que reduzem os impactos ambientais.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comercio e Serviços: Os principais objetivos da bioeconomia incluem a redução da dependência de recursos não renováveis, a promoção da segurança alimentar, o desenvolvimento de produtos e processos ambientalmente sustentáveis e a criação de empregos e oportunidades econômicas em áreas rurais e urbanas.
Importante ressaltar que a UNIDO – Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial é uma agência especializada da ONU, que tem o mandato de promover e acelerar o Desenvolvimento Industrial Sustentável e Inclusivo. Em Mato Grosso o Governo em parceria com a UNIDO, estuda ampliar a produção de biogás do estado por meio da produção agroindustrial, da agricultura familiar e da gestão sustentável de resíduos urbanos.
O Projeto GEF Biogás Brasil é liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e conta com o CIBiogás como principal entidade executora.
O biogás é uma fonte renovável de energia, combustível e biofertilizante produzida a partir de resíduos orgânicos da produção agroindustrial e de resíduos sólidos urbanos. O aproveitamento energético desses resíduos permite a estruturação de uma economia circular, mitigando emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), reduzindo a utilização de combustíveis fósseis no Estado e evitando a poluição do solo e de recursos hídricos pelo descarte inadequado de rejeitos.
Investimentos na cadeia de valor do biogás também resultam em novos empregos verdes, inovação tecnológica e sustentabilidade energética de cidades e negócios. E o Projeto GEF Biogás possui interface com pelo menos 6 (seis) ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU: ODS 07 – Energia Limpa e Acessível; ODS 08 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico; ODS 09 – Industria Inovação e Infraestrutura; ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis; ODS 13 – Ação Contra as Mudanças Climáticas e; ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação.
Importante dizer que Mato Grosso é um estado privilegiado em termos de biodiversidade, sendo o único do Brasil a ter, sozinho, três dos principais biomas do país: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Com programas e iniciativas:
- O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT) promove programas de pré-aceleração de ideias e empresas;
- O SECITECI – Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação – oferece cursos gratuitos do Programa Bioeconomia;
- A Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) realiza a Mostra Acadêmica de Bioeconomia e Inovação.
“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” (Geraldo Vandré: Para não dizer que não falei das flores).
Eduardo Cairo Chiletto